Queridas netas e netos
Há quase 50 anos, com 26 anos de idade, o avô de vocês foi submetido
às mais terríveis e bárbaras torturas.
O Brasil estava dominado por uma ditadura militar, que
prendia, torturava e matava seus opositores. A imprensa, a música e o teatro
estavam sob censura. A palavra liberdade era proibida.
E foi em virtude da luta por democracia que fui preso.
Pois bem, após passar pelos centros de tortura do Paraná, fui
levado para o Rio de Janeiro, onde ocorreram novos suplícios.
Meses antes, agentes da ditadura militar invadiram a casa de
meus pais (seus bisavós). Foram em busca de armas e encontraram meus livros.
Foram dez anos - 1969, ano que fui preso, e 1979, ano em que
voltei à vida legal com a anistia política - que marcaram a vida de nossa
família. Eunice, a avó de vocês carrega até hoje as sequelas daqueles anos
tenebrosos.
Desculpem essas palavras meio tristes do vô. Tristes sim,
porque penso que estamos atravessando um momento muito parecido com aquele que nossa
família viveu, e que não quero que vocês vivam.
Mas vamos direto ao ponto. Quero que saibam que, nessa
eleição, o avô de vocês preferiu votar em Fernando Haddad. E o que é possível
no momento, é votar no candidato que nos dê mais garantias de que a democracia
será mantida e respeitada.
Fernando Haddad é a opção necessária para que a educação e a
saúde públicas sejam valorizadas e o lado bom dos governos antecessores de seu
partido sejam desenvolvidos. O lado bom, sim, porque ocorreram também malfeitos que não podemos aceitar.
Então meus netos, seja qual for o resultado, vamos esperar
para o dia amanhecer sem ódio.
Vô Aluízio
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